Explicando o Mistério da Combustão Espontânea

MT07A combustão humana espontânea (CHE) é um suposto fenômeno macabro no qual o corpo de uma pessoa entra em combustão, não provocada por uma fonte externa de ignição, através do calor gerado por reações internas, que poderiam ser químicas, nucleares ou paranormais.

O fenômeno nunca foi testemunhado. Contudo, nos últimos 350 anos, centenas de mortes foram atribuídas à CHE por investigadores e contadores de histórias, das quais poucas foram analisadas por especialistas.

A possibilidade de que um corpo humano entre em combustão de forma espontânea é remota, por ser o corpo formado principalmente de água, e, apesar de ter metano e gordura, é muito difícil queimar um corpo; a cremação, por exemplo, requer temperaturas da ordem de 900 °C.

O primeiro relato conhecido de um caso de CHE remonta a 1641, quando o médico e matemático dinamarquês Thomas Bartholin descreveu a morte de Polonus Vorstius quando esse bebia vinho em sua casa, em Milão, Itália, em uma noite do ano de 1470 antes de estourar em chamas. Em 1663 Bartholin descreveu outro caso, dessa vez de uma mulher, em Paris, que “foi reduzida a cinzas e fumaça” sem que o colchão de palha em que dormia, fosse danificado pelo fogo.

Passados 10 anos, o francês Jonas Dupont relatou uma série de casos semelhantes, na obra “De Incendiis Corporis Humani Spontaneis” .

Em 1745, a Philosophical Transactions descreveu como uma pilha de cinzas sobre a cama foi praticamente tudo o que restou da Condessa Cornelia Sandi de Cesena, na Itália.

Em 1833, M. J. Fontelle reviu alguns casos perante a Academia Francesa de Ciências, tendo observado que as vítimas tendiam a ser mulheres idosas que consumiam bebidas alcoólicas e que os danos do fogo não se estendiam aos materiais inflamáveis como alcool ou querosene próximos ou mesmo no corpo delas. Recentemente, em 2011, o investigador irlandês Dr Kieram McLoughlin atribuiu a morte de Michael Faherty, de 76 anos, à CHE, sendo o primeiro destes casos em seus 25 anos de experiência.[1]

Os casos de CHE narrados desde então apresentam algumas características em comum:

A vítima é quase completamente consumida pelas chamas, geralmente no interior da própria residência. Dentre as características das ocorrências, destacam-se:

Os primeiros a encontrar os corpos carbonizados relatam ter percebido o cheiro de uma fumaça adocicada nos cômodos onde o fenômeno ocorrera;

Os corpos carbonizados apresentam as extremidades (mãos, pés e/ou parte das pernas) intactas, mesmo que o dorso e a cabeça estivessem irreconhecíveis;

Após séculos de discussão onde o CHE geralmente é encarado como um mito, em anos recentes uma teoria foi criada para explicar o fenômeno e testada.

Em janeiro de 1986, em um programa da BBC Newsnight, foi demonstrado como o chamado  “efeito pavio”, a combustão alimentada pela própria gordura presente no corpo, poderia explicar os casos de CHE. Essa teoria foi usada para explicar a morte de um prestador de serviços ocorrida no ano seguinte na Inglaterra, cujos  restos carbonizados foram encontrados em seu apartamento.

O efeito pavio estava se tornando a explicação aceita. Contudo, alguns experimentos demonstraram que ossos, mesmo quando submetidos a grandes temperaturas por várias horas, não se decompunham em cinzas, contrariando dessa forma, as observações realizadas nos cenários de CHE onde nada sobrava das partes consumidas. Em outros experimentos, usou-se a carcaça de um porco embebida em álcool para testar o efeito pavio sem que os mesmos resultados da CHE fosse obtidos.

Brian J. Ford, Professor da Cambridge Univesity (UK) desenvolveu outra teoria para a CHE e testou-a com sucesso pela primeira vez. Segundo Ford, a beta-oxidação de alguns ácidos presentes no corpo, pode dar origem a substância acetYl-CoA. Uma série de condições, como doenças ou exaustão física, pode fazer como que a acetYl-CoA presente no fígado seja convertida em acetoacetato, que pode descarboxilar em acetona. A acetona é uma substância altamente inflamável.

Preparando uma carcaça de porco embebida em acetona, em vez de etanol como nos experimentos realizados anteriormente, foi possível queimar a carcaça até  cinzas em apenas meia hora.  Sobraram da carcaça consumida apenas os membros que não foram, exatamente como as fotografias de vítimas de CHE. Ford acredita que as pernas permaneçam intactas porque não há muita gordura para a acetona acumular nessas partes do corpo.

Ninguém precisa se preocupar com a combustão espontânea. As condições para que ela ocorra, segundo Ford, são muito específicas, sendo que existem apenas 120 casos registrados ao longo história sobre casos de CHE, muitos dos quais podem não ter sido autênticos.

Referências

Wikipedia: Verbete Combustão Espontânea

NewScientist 18 August 2012 Pg 31: The Big Burn Teory

The Microscope, Vol. 60:2, pp 63–72 (2012): Solving the Mystery of Spontaneous Human Combustion

Para Saber Mais

Experiências Fora do Corpo – Fundamentos

Experiências Fora do Corpo – O Guia do Iniciante

Estado Vibracional

Fronteira da Consciência

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