Arquivo mensal: Março 2013

Parapsicologia nos Estados Unidos

Ganzfeld - Experimento para testar a telepatia - Fonte: Wikimedia Commons

Ganzfeld – Experimento para testar a telepatia – Fonte: Wikimedia Commons

Os primórdios da investigação parapsicológica remontam ao início do século XIX quando, nos EUA e na Inglaterra surgiram as primeiras pessoas a pesquisar os fenômenos psi e publicar os resultados de suas investigações.

Mas foi somente em 1934, com a publicação da obra “Percepção Extra Sensorial” pelo biólogo da Universidade de Duke (EUA) J.B Rhine que considera-se ter a parapsicologia chegado ao nível de ciência. Nessa obra, Rhine descrevia anos de pesquisas sistemáticas e cuidadosas que realizara sobre o fenômeno PSI.

Rhine, juntamente com William McDougall, cunhou o termo “parapsicologia” a  partir da tradução de uma palavra de origem alemã. Junto com McDougall,  desenvolveu a metodologia e os conceitos fundamentais da parapsicologia como forma de psicologia experimental. Posteriormente, as intsituições necessárias para profissionalização da parapsicologia nos Estados Unidos da América, incluindo o Journal of Parapsychology e a Parapsychological Association, além da Foundation for Research on the Nature of Man (FRNM), uma precursora do que hoje é conhecido como Rhine Research Center.

Em 1953, foi realizado o primeiro Congresso Internacional de Parapsicologia, em Utrecht, Holanda. Essa conferência ajudou a avançar no campo e se profissionalizar os pesquisadores.

Como resultado desses trabalhos, a parapsicologia foi reconhecida como Ciência, por 165 votos a 30, em 30 de dezembro de 1969 pela American Association for Advancement of Science (A.A.A.S). Fundada em 1957, ´na cidade de New York, a A.A.A.S aceitou nessa ocasião a filiação da Parapsychological Association (P.A.) que congregava os mais respeitados parapsicólogos do mundo.

Contudo, passados 10 anos, a parapsicologia estava sofrendo severas críticas no meio acadêmico. Os motivos para isso eram as pesquisas realizadas, consideradas inconclusivas. Alguns efeitos tidos como paranormais, por exemplo, a fotografia Kirlian, considerado por alguns como fotografias da aura humana, desapareceram sob controles mais rigorosos, deixando essas linhas de investigação em becos sem saída.  Assim, em 1979 foi sugerido a A.A.A.S, mas sem que fosse aceita por essa, o descredenciamento da Parapsychological Association.

Apesar disso, desde então, a pesquisa parapsicológica diminuiu consideravelmente tanto nos Estados Unidos como na Europa.  Em um relatório de 1988 da Academia Nacional de Ciências dos EUA concluiu que “a academia não encontrava nenhuma justificativa científica nas pesquisas realizadas ao longo de um período de 130 anos para corroborar a existência de fenômenos parapsicológicos”.

Assim, muitos laboratórios universitários foram fechados sob a alegação de falta de aceitação pelo meio científico. Hoje, a maior parte das pesquisas em parapsicologia nos EUA é realizada por instituições privadas financiadas por fontes privadas. Se por um lado isso ajudou a Parapsicologia sobreviver nos EUA, por outro tornou-se mais um motivo de críticas por parte da comunidade acadêmica.

Há quem acredite que o grande problema da Parapsicologia foi tentar estudar os fenômenos psi sob o ponto de vista da ciência convencional, materialista e cartesiana. Os fenômenos são tipicamente estudados sob o ponto de vista da estatística e da sob a exigência da replicabilidade. Ocorre que os fenômenos psi são sujeitos a tantas variáveis incontroláveis por parte dos pesquisadores que tanto a estatística como a replicabilidade ficam seriamente prejudicadas. Hoje, a única forma de superar essa questão seria pelo emprego de outro paradigma de pesquisa científica.

Referências

Wikipedia: Paranormal

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O Desafio de Mapear o Cérebro

Molecular ThoughtsO presidente dos EUA, Barak Obama definiu que os Estados Unidos têm a meta de mapear o cérebro humano ativo. Dessa forma, deve anunciar esse mês a intenção criar um projeto de pesquisa bilionário, unificando diversas iniciativas e com previsão para durar uma década, que terá a meta de montar um mapa abrangente da atividade cerebral.

Trata-se de um grande desafio pois, até o presente, todos os esforços de mapeamento da atividade cerebral não mais do que arranharam o problema.

Neurocientistas fizeram ao longo das últimas décadas grandes avanços na compreensão da função em microescala de neurônios individuais e da atividade em macroescala do cérebro humano. Hoje é possível investigar-se aspectos moleculares e biofísicos de neurônios individuais e também ver o cérebro humano em ação com a ressonância magnética (RM) ou magnetoencefalografia (MEG). No entanto, os mecanismos de percepção, cognição e ação permanecem misteriosos porque eles surgem a partir das interações em tempo real de grandes conjuntos de neurônios em áreas densamente interconectado, generalizados circuitos neurais.

Será preciso, portanto, desenvolver novas tecnologias de mapeamento funcional do cérebro, testá-las espécies de vida mais simples para depois poderem estender o processo aos seres humanos cujo cérebro é muito mais complexo do que qualquer outra forma de vida no planeta.

Um artigo publicado no ano passado no periódico “Neuron” descreveu um caminho possível para o mapeamento do cérebro humano ativo. Assinado por seis cientistas destacados, o artigo propõe que o projeto comece com espécies cujos cérebros tenham um número muito pequeno de neurônios, passando em seguida para animais progressivamente mais complexos.

Além dos desafios tecnológicos, existem outras questões que precisam ser respondidas, relacionadas, por exemplo, ao armazenamento das informações colhidas. Calcula-se que um cérebro humano com seus 100 bilhões de neurônios gere cerca o colossal volume de 300 mil petabytes de dados a cada ano.

Outra questão a ser discutida é de ordem ética, relacionada ao que poderá ser feito com esses dados.

O anúncio da iniciativa do governo Obama já provocou um grande alvoroço na comunidade científica americana. Os principais periódicos científicos no inpicio desse mês de março de 2013 estão priorizando publicações relacionadas ao mapeamento funcional do cérebro que trazem propostas, algumas bastante especulativas, sobre novas tecnologias que poderão ser empregadas para materializar essa iniciativa.

Como é natural em iniciativas desse tipo, vozes contrárias já se levantaram, criticando tanto os métodos quanto o objetivo do projeto. Muitos acreditam que o desafio supera nossa capacidade tecnológica e a forma como ela pode ser usada para produzir esse mapeamento.

Naturalmente, os interesses estratégicos, notadamente econômicos, são grandes. Estimativas apontam para o fato de que no caso do mapeamento do genoma, outra grande iniciativa levada a cabo no passado recente, trouxe um retorno de 140 dólares para cada dólar investido no programa.

Referências

The New Yok Times: Obama Seeking to Boost Study of Human Brain

Science Magazine: Edição de 13 de março de 2013

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Explicando o Mistério da Combustão Espontânea

MT07A combustão humana espontânea (CHE) é um suposto fenômeno macabro no qual o corpo de uma pessoa entra em combustão, não provocada por uma fonte externa de ignição, através do calor gerado por reações internas, que poderiam ser químicas, nucleares ou paranormais.

O fenômeno nunca foi testemunhado. Contudo, nos últimos 350 anos, centenas de mortes foram atribuídas à CHE por investigadores e contadores de histórias, das quais poucas foram analisadas por especialistas.

A possibilidade de que um corpo humano entre em combustão de forma espontânea é remota, por ser o corpo formado principalmente de água, e, apesar de ter metano e gordura, é muito difícil queimar um corpo; a cremação, por exemplo, requer temperaturas da ordem de 900 °C.

O primeiro relato conhecido de um caso de CHE remonta a 1641, quando o médico e matemático dinamarquês Thomas Bartholin descreveu a morte de Polonus Vorstius quando esse bebia vinho em sua casa, em Milão, Itália, em uma noite do ano de 1470 antes de estourar em chamas. Em 1663 Bartholin descreveu outro caso, dessa vez de uma mulher, em Paris, que “foi reduzida a cinzas e fumaça” sem que o colchão de palha em que dormia, fosse danificado pelo fogo.

Passados 10 anos, o francês Jonas Dupont relatou uma série de casos semelhantes, na obra “De Incendiis Corporis Humani Spontaneis” .

Em 1745, a Philosophical Transactions descreveu como uma pilha de cinzas sobre a cama foi praticamente tudo o que restou da Condessa Cornelia Sandi de Cesena, na Itália.

Em 1833, M. J. Fontelle reviu alguns casos perante a Academia Francesa de Ciências, tendo observado que as vítimas tendiam a ser mulheres idosas que consumiam bebidas alcoólicas e que os danos do fogo não se estendiam aos materiais inflamáveis como alcool ou querosene próximos ou mesmo no corpo delas. Recentemente, em 2011, o investigador irlandês Dr Kieram McLoughlin atribuiu a morte de Michael Faherty, de 76 anos, à CHE, sendo o primeiro destes casos em seus 25 anos de experiência.[1]

Os casos de CHE narrados desde então apresentam algumas características em comum:

A vítima é quase completamente consumida pelas chamas, geralmente no interior da própria residência. Dentre as características das ocorrências, destacam-se:

Os primeiros a encontrar os corpos carbonizados relatam ter percebido o cheiro de uma fumaça adocicada nos cômodos onde o fenômeno ocorrera;

Os corpos carbonizados apresentam as extremidades (mãos, pés e/ou parte das pernas) intactas, mesmo que o dorso e a cabeça estivessem irreconhecíveis;

Após séculos de discussão onde o CHE geralmente é encarado como um mito, em anos recentes uma teoria foi criada para explicar o fenômeno e testada.

Em janeiro de 1986, em um programa da BBC Newsnight, foi demonstrado como o chamado  “efeito pavio”, a combustão alimentada pela própria gordura presente no corpo, poderia explicar os casos de CHE. Essa teoria foi usada para explicar a morte de um prestador de serviços ocorrida no ano seguinte na Inglaterra, cujos  restos carbonizados foram encontrados em seu apartamento.

O efeito pavio estava se tornando a explicação aceita. Contudo, alguns experimentos demonstraram que ossos, mesmo quando submetidos a grandes temperaturas por várias horas, não se decompunham em cinzas, contrariando dessa forma, as observações realizadas nos cenários de CHE onde nada sobrava das partes consumidas. Em outros experimentos, usou-se a carcaça de um porco embebida em álcool para testar o efeito pavio sem que os mesmos resultados da CHE fosse obtidos.

Brian J. Ford, Professor da Cambridge Univesity (UK) desenvolveu outra teoria para a CHE e testou-a com sucesso pela primeira vez. Segundo Ford, a beta-oxidação de alguns ácidos presentes no corpo, pode dar origem a substância acetYl-CoA. Uma série de condições, como doenças ou exaustão física, pode fazer como que a acetYl-CoA presente no fígado seja convertida em acetoacetato, que pode descarboxilar em acetona. A acetona é uma substância altamente inflamável.

Preparando uma carcaça de porco embebida em acetona, em vez de etanol como nos experimentos realizados anteriormente, foi possível queimar a carcaça até  cinzas em apenas meia hora.  Sobraram da carcaça consumida apenas os membros que não foram, exatamente como as fotografias de vítimas de CHE. Ford acredita que as pernas permaneçam intactas porque não há muita gordura para a acetona acumular nessas partes do corpo.

Ninguém precisa se preocupar com a combustão espontânea. As condições para que ela ocorra, segundo Ford, são muito específicas, sendo que existem apenas 120 casos registrados ao longo história sobre casos de CHE, muitos dos quais podem não ter sido autênticos.

Referências

Wikipedia: Verbete Combustão Espontânea

NewScientist 18 August 2012 Pg 31: The Big Burn Teory

The Microscope, Vol. 60:2, pp 63–72 (2012): Solving the Mystery of Spontaneous Human Combustion

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Síndrome de Tourette e a Possessão Demoníaca

Tourette

A síndrome de Tourette é uma desordem neurológica ou neuroquímica caracterizada por tiques, reações rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorre repetidamente da mesma maneira com considerável frequência.

A maioria das pessoas afetadas é do sexo masculino e os tiques motores e vocais mudam constantemente de intensidade e variam muito de pessoa para pessoa

Raramente uma pessoa que sofre da síndrome consegue controlar um mínimo de seus tiques e jamais por prolongados períodos de tempo.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1825, pelo médico francês Jean Itard. Mais tarde, em 1885, Gilles de la Tourette publicou um relato de nove casos da doença.

Tratamentos médicos existem para amenizar os sintomas, mas não existe uma cura.

Mesmo nos dias atuais, a reação de muitas pessoas desinformadas perante manifestações da síndrome de Tourette oscila da fobia ao diferente. Por vezes, a reação é de reprovação, especialmente quando a pessoa afetada pela síndrome de Tourette manifesta sintomas de coprolalia quando os veem-se obrigados a repetir palavras obscenas e/ou insultos.

Esses fatos provocam a seguinte reflexão: Como as pessoas no passado reagiam quando alguém demonstrava ser portadora dessa síndrome?

O início da síndrome geralmente se manifesta na infância e podem, com o tempo, amenizarem ou cronicificarem. Os tiques podem se manifestar em qualquer parte ou conjunto de partes do corpo (barriga, nádegas, pernas, braços etc.), mas tipicamente eles ocorrem no rosto e na cabeça – no rosto, como caretas repetidas, e na cabeça como um todo, como movimentos bruscos, repetidos, de lado a lado etc.

No passado, se o portador da síndrome tinha a sorte de os sintomas amenizarem, ainda poderia tentar escondê-la, mas, no caso contrário isso certamente lhe renderia grandes problemas.

A mais antiga referência conhecida à síndrome de Tourette é de 1489 e aparece justamente no livro Malleus Maleficarum (“O Martelo da Bruxa”), de Jakob Sprenger e Heinrich Kraemer, onde é descrito o caso de um padre cujos tiques seriam supostamente relacionados à possessão demoníaca.

Possessão demoníaca é, de acordo com muitos sistemas de crença, o controle de um indivíduo por um ser maligno sobrenatural. Descrições de possessões demoníacas muitas vezes incluem memórias ou personalidades apagadas, convulsões e desmaios como se a pessoa estivesse morrendo.

Quantas pessoas, crianças e adultos, terão sido erroneamente tomadas como “possessas por demônios”, e sofrido por isso, tanto no Ocidente quanto no Oriente? Em ambos, tratamentos de exorcismo eram empregados para “libertar” as pessoas de possessões. No Ocidente, sempre havia o recurso último de queimar-se a pessoa viva quando os outros “tratamentos” (que incluíam vários tipos de torturas) falhavam em “retirar-lhes o demônio do corpo”.

Referências

Plos One – Artigo Original: Wikipedia – Verbete Síndrome de Tourette

 

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